Dia da Mulher 8M



Nesse dia 8 de março, mundialmente celebrado como Dia da Mulher, nada melhor do que a gente conversar um pouco sobre Ecofeminismo, um movimento que busca o equilíbrio entre o ser humano e a natureza, fomentando a colaboração ao invés da dominação e respeitando todas as formas de vida.


O termo ecofeminismo foi adotado pela primeira vez em 1974, por Françoise d`Eaubonne quando em sua obra, “Le Feminism ou la Mort” (Feminismo ou a Morte), citou que, “a capacidade das mulheres são como impulsoras de uma revolução ecológica para ocasionar e desenvolver uma nova estrutura relacional de gênero entre os sexos, bem como entre a humanidade e o meio ambiente.” Em 1978, ela fundou, na França, o movimento Ecologia e Feminismo, onde a relação entre ciência, mulher e natureza estaria em destaque nas preocupações do movimento ecofeminista. Ecologia é um assunto feminista mesmo que ao longo do tempo suas semelhanças foram esquecidas e apagadas pela ciência ecológica. Essa vertente do movimento feminista, também chamado de feminismo ecológico, examina conexões entre o movimento das mulheres com o movimento ecológico, trazendo uma um resgate de saberes ancestrais para cocriar uma nova visão do mundo, desvinculada da concepção socioeconômica e de dominação implementada pela sociedade patriarcal.


“Nessa abordagem, o ecofeminismo identifica no sistema patriarcal a origem da catástrofe ecológica atual, tendo sido a natureza e as mulheres, ambas associadas à reprodução da vida, o alvo das agressões desse sistema. Nessa perspectiva, o patriarcado se exprime com a mesma lógica do poder machista, opressor e totalitário da agroindústria, atacando os fundamentos da vida, na sua expressão simbólica mais profunda: a fecundidade do ser vivo. Daí a luta de feministas pela libertação da mulher oprimida, na relação de gênero, estar associada ao movimento ecofeminista de libertação da mulher e da natureza, ambas exploradas.”(Bárbara Nascimento Flores,Salvador Dal Pozzo Trevizan)


Uma das fundadoras do ecofeminismo, a teóloga Rosemary Ruether, insistiu que todas as mulheres devem reconhecer e trabalhar para acabar com o domínio da natureza se quiserem trabalhar para a sua própria libertação.


O OBJETIVO É DAR UMA BASTA À DEPREDAÇÃO DA NATUREZA E À OPRESSÃO À MULHER! MULHER E MÃE-NATUREZA: FORÇAS QUE DEVEM SER RESPEITADAS!


Questionar, desestabilizar os padrões é de grande importância para alcançarmos o empoderamento feminino.


(…) poder é a capacidade de fazer escolhas. Escolha, no caso, implica na possibilidade de alternativas. Só que algumas “escolhas” têm maiores consequências do que outras em nossas vidas. Nessa perspectiva, o empoderamento pode ser entendido como o processo através do qual se expandem os limites de se fazer escolhas estratégicas, num contexto no qual isso era antes impossível/proibido/negado (SARDENBERG, 2017, p. 54).



Mesmo com toda importância da militância que hoje também seja um dia para desfrutarmos! Gostaríamos de desejar a todas as mulheres um lindo dia para a gente fortalecer nessa luta juntas! Aceitamos presentes também, quem não gosta não é mesmo? Que eles sejam também de mulheres que estão no corre compartilhando seu servir! Fortaleça o sonho de outras mulheres também para juntas formarmos uma rede de apoio. Nós só temos a nós mesmos, vamos juntas? Desejamos que todas as mulheres se sintam contempladas nesse dia, seja com ou sem útero, cis ou trans, e independente dos estereótipos culturais dominantes. Ser mulher é ser resistência, força e coragem.


Afinal, o que é ser mulher? É preciso descontruir esse padrão rígido que nos limita. Nada melhor do que trazer um trecho do livro Mulheres que correm com os Lobos de Clarissa Pinkola para a gente refletir juntas:


"...Extrair grande prazer de um mundo repleto de muitas espécies de beleza é uma alegria na vida a qual todas as mulheres fazem jus. Defender apenas um tipo de beleza é de certo modo não observar a natureza. Não pode haver apenas um tipo de ave canora, apenas uma variedade de pinheiro, apenas uma qualidade de lobo. Não pode haver apenas um tipo de bebe,de homem e de mulher. Não poder haver apenas um formato de seio, de cintura, um tipo de pele.

...

Destruir o vinculo instintivo da mulher com seu corpo natural subtrai-lhe a confiança. Faz com que ela insista em descobrir se é uma boa pessoa ou não, e baseia sua autoestima na sua aparência em vez de na sua essência..."



Viva a sua beleza natural!!

Nosso corpo não é um objeto e temos o compromisso com nós mesmas de cuidar dele, de forma que o deixe saudável e forte. A Clarissa P. traz a uma sensação que muitas mulheres já sentiram também, sobre termos uma "faminta" dentro de nós. E essa fome não é apenas faminta de se enquadrar em um padrão, mas uma "faminta" de ser tratada com respeito, por ser aceita ou ao menos ser vista sem preconceito. Que possamos dizer NÃO a todas as projeções desrepeitosas que os outros lançam sobre nossos corpos, sobre nossos rostos ou idade. Que o dia de hoje a gente reflita também sobre autorresponsabilidade e rompa essa dinâmica, não reproduzindo isso nem com nós mesmas ou com outras mulheres.


"...Apesar de uma mulher não ter condição de parar a dissecação da cultura e das terras da noite para o dia, ela tem condição de interromper esse processo no seu próprio corpo.

A natureza selvagem jamais defenderia a tortura do corpo, da cultura ou da terra. A natureza selvagem jamais concordaria em açoitar as formas com o objetivo de provar valor, "controle" ou caráter de tornar essas formas mais agradáveis ao olhar ou mais valiosas em termos financeiros.

UMA MULHER NÃO PODE TORNAR A CULTURA MAIS CONSCIENTE APENAS COM A ORDEM DE QUE SE TRANSFORME. ELA PODE, NO ENTANTO, MUDAR SUA PRÓPRIA ATITUDE PARA CONSIGO MESMA, FAZENDO COM QUE PROJEÇÕES DESVALORIZADORAS SIMPLESMENTE RICOCHETEIEM. ISSO ELA CONSEGUE AO RESGATAR SEU CORPO. AO NÃO RENUNCIAR A ALEGRIA DO SEU CORPO NATURAL, AO NÃO "COMPRAR"A ILUSÃO POPULAR DE QUE A FELICIDADE SÓ É CONCEDIDAS AQUELES DE UMA CERTA CONFIGURAÇÃO OU IDADE, AO NÃO ESPERAR NEM SE ABSTER DE NADA E AO REASSUMIR SUA VIDA VERDADEIRA A PLENOS PULMÕES, ELA CONSEGUE INTERROMPER O PROCESSO. ESSA DINÂMICA DE AMOR PRÓPRIO E DA ACEITAÇÃO DE SI MESMA SÃO O QUE DÁ INICIO A MUDANÇA DE ATITUDES NA CULTURA..."


Forte, não é mesmo? Por isso acreditamos no autocuidado como uma forma de preservar a vida que habita em nós, resgatando nossa beleza natural que reflete nossa essência. Cuidar de si por se querer saudável, por honrar esse corpo que te carrega nessa existência aqui na Terra com tanto empenho e dedicação. Sem comparação, afinal a riqueza está na diversidade e cada ser é único e especial. Que deixem a gente simplesmente SER! Ser perfeitamente imperfeitas, deixando nossa luz, poder e sabedoria brilhar.


Nós da Vegalótus somos ecofeministas e prezamos pelo autocuidado como uma forma de preservar a vida!



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