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Ciclo menstrual e autocuidado lixo zero

O ciclo também pode ser sem lixo


Tem assuntos que foram empurrados para o silêncio por tempo demais, e a menstruação é um deles.


Durante muito tempo, falar sobre ciclo menstrual foi tratado como algo íntimo demais, incômodo demais, "feminino" demais, bagunçado demais para ocupar espaço nas conversas sobre saúde, consumo, sustentabilidade e autocuidado.


Só que o que a gente não fala, a indústria resolve por nós. E, geralmente, resolve com descarte. Absorventes descartáveis, aplicadores plásticos, embalagens individuais, lenços umedecidos, protetores diários, saquinhos, promessas de "limpeza", "controle", "segurança" e "discrição".


Tudo muito branco.

Tudo muito perfumado.

Tudo muito plástico.


Nesta quarta semana do Julho Sem Plástico Vegalótus, o convite é olhar para o ciclo menstrual não como um problema a ser escondido, mas como uma experiência corporal que pode ser vivida com mais presença, menos tabu e menos lixo.


Sem romantizar.

Sem impor.

Sem dizer que existe uma forma certa de menstruar.


Mas abrindo espaço para uma pergunta importante:

será que o autocuidado menstrual também pode ser mais consciente?


O lixo menstrual que quase ninguém vê

tr

ocas simples para reduzir o plástico na sua casa

Uma pessoa que menstrua pode usar milhares de absorventes descartáveis ao longo da vida e cada um deles costuma ter uma combinação de plástico, fibras sintéticas, adesivos, fragrâncias, camadas absorventes, embalagens individuais e materiais de difícil decomposição.


Usa por algumas horas.

Descarta.

Repete.

Por dias.

Por meses.

Por anos.


E como tudo isso acontece dentro de uma cultura que ainda trata menstruação como algo sujo, inconveniente ou vergonhoso, o descarte se torna quase invisível. Ninguém quer olhar, falar ou lembrar, mas o planeta lembra.



O problema não é menstruar. É o sistema descartável ao redor do ciclo.


Menstruar não é o problema; ter fluxo não é o problema; precisar de conforto, segurança e praticidade também não é o problema. O problema é uma indústria que transformou uma experiência cíclica do corpo em consumo mensal descartável. E pior: fez isso vendendo a ideia de que o sangue precisa ser escondido a qualquer custo.


Absorva rápido.

Neutralize o odor.

Disfarce.

Jogue fora.

Finja que nada aconteceu.


Só que aconteceu, o corpo está falando e o autocuidado começa quando a gente para de tratar esse processo como falha, sujeira ou inconveniência.



Alternativas menstruais lixo zero existem e a escolha precisa ser sua.


Hoje existem diferentes alternativas para reduzir o lixo menstrual, como:


  • coletor menstrual

  • disco menstrual

  • calcinha absorvente

  • absorvente de pano reutilizável

  • absorventes biodegradáveis, quando o reutilizável não é uma opção


Cada uma tem vantagens, limites, curva de adaptação e relação diferente com o corpo.

O coletor pode ser maravilhoso para uma pessoa e desconfortável para outra. A calcinha absorvente pode trazer liberdade para quem tem fluxo leve ou moderado, mas talvez não seja suficiente para todas as fases do ciclo. O absorvente de pano pode funcionar muito bem em casa, mas exigir uma logística que nem todo mundo consegue sustentar fora. E está tudo bem.


Cuidado consciente não é escolher a alternativa mais "perfeita" no Instagram. É escolher o que respeita seu corpo, sua rotina, seu acesso, seu conforto e sua fase de vida.



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Sem culpa, sem nojo, sem performance sustentável


Vamos tirar um peso da conversa?


Você não precisa amar menstruar. Não precisa fazer ritual com vela, chá, diário lunar e playlist ancestral se tudo que você quer é deitar com cólica e não falar com ninguém. Você não precisa trocar todos os absorventes descartáveis de uma vez, não precisa usar coletor se a ideia te dá aflição. Você não precisa provar que é sustentável enquanto seu útero tenta sair do corpo em câmera lenta.


O ponto não é performar consciência, é abrir possibilidades. Talvez neste mês você só pesquise sobre coletor, talvez compre uma calcinha absorvente para testar em casa, talvez troque o protetor diário descartável por uma opção reutilizável, talvez só perceba quantos descartáveis usa em um ciclo. Tudo isso já é começo.



Ciclo menstrual também é autocuidado


A gente fala muito de skincare como ritual mas pouco fala do ciclo menstrual como território de escuta. O corpo muda ao longo do mês. A energia muda. A pele muda. O humor muda. O sono muda. A libido muda. A fome muda. A paciência muda muito, inclusive. E, ainda assim, muitas vezes tentamos atravessar todas as fases do ciclo como se fôssemos a mesma pessoa todos os dias.


Produtiva igual.

Disponível igual.

Sociável igual.

Bonita igual.

Regulada igual.


Talvez autocuidado menstrual seja justamente o contrário: perceber que o corpo não é linear. E que cuidado de verdade não é forçar constância absoluta, mas aprender a se acompanhar com mais honestidade.


O que isso tem a ver com plástico?


Tudo.


Porque uma rotina menstrual mais consciente também questiona o que colocamos em contato com uma região íntima, sensível e permeável. Questiona materiais, fragrâncias, plásticos, descartáveis, adesivos, branqueadores, embalagens e promessas de "frescor" que muitas vezes mais escondem o corpo do que cuidam dele.


Também questiona o destino de tudo isso depois do uso, o que sai da nossa rotina não desaparece, só muda de lugar e quando falamos de lixo menstrual, estamos falando de um volume repetido todos os meses, por anos, em escala coletiva.


Não é pequeno. Só foi tratado como invisível.


Um cuidado mais regenerativo começa pela escuta


Na Vegalótus, a gente acredita que autocuidado não é controle do corpo. É relação. É escuta. É presença. É a possibilidade de tocar a própria rotina com mais consciência, sem transformar tudo em obrigação.


Durante o ciclo menstrual, essa escuta pode aparecer de formas simples:

  • escolher produtos menstruais mais alinhados com seu corpo e seus valores

  • observar em qual fase do ciclo você está

  • reduzir excessos quando possível

  • criar pausas mais gentis nos dias de maior sensibilidade

  • usar aromas, óleos vegetais, hidrolatos ou roll-ons aromaterapêuticos como apoio ritualístico e sensorial

  • lembrar que seu corpo não precisa ser corrigido para merecer cuidado


Não se trata de "resolver" a menstruação e, sim, de se relacionar melhor com ela.


O desafio da Semana 4


Pesquise uma alternativa menstrual sustentável e reflita sobre o que faria sentido para você.


Pode ser:

  • coletor menstrual

  • disco menstrual

  • calcinha absorvente

  • absorvente de pano

  • absorvente biodegradável

  • ou simplesmente mapear quantos descartáveis você usa em um ciclo


Você não precisa comprar nada agora, não precisa mudar tudo neste mês, não precisa provar nada para ninguém. A proposta é investigar com curiosidade: o que seria possível para o meu corpo, minha rotina e minha realidade?


Como participar da campanha


Durante o Julho Sem Plástico Vegalótus, cada semana traz um novo tema, um novo desafio e uma nova forma de olhar para a rotina com mais consciência.


Para participar:

  1. Faça o desafio da semana.

  2. Poste nos stories marcando @vegalotus.

  3. Use a hashtag #JulhoSemPlásticoVegalótus.

  4. Se quiser, compartilhe uma reflexão, uma descoberta ou uma dúvida sobre alternativas menstruais mais sustentáveis.


Ao final do mês, a pessoa mais engajada da campanha ganha R$100 em crédito para usar no site da Vegalótus.


Ganha quem participou, refletiu, compartilhou o processo e inspirou outras pessoas a olhar para o consumo com mais presença.


Para apoiar esse momento


Se durante o seu ciclo você sente vontade de criar uma rotina mais gentil, alguns produtos podem acompanhar esse momento de pausa, toque e presença: roll-ons aromaterapêuticos, óleos vegetais para automassagem, hidrolatos para refrescar e acolher a pele, sabonetes bioativos para um banho mais sensorial e cremes sazonais para nutrir o corpo com mais calma.


Não como cura milagrosa, nem como promessa exagerada mas como pequenos apoios para lembrar que o corpo merece cuidado em todas as fases.




Reflexão da semana


Talvez a pergunta não seja só como reduzir o lixo do ciclo.


Talvez seja também: o que muda quando eu paro de tratar meu corpo como algo que precisa ser escondido?


Porque reduzir plástico é importante e reduzir vergonha também é regenerativo.


Próximo passo: encerrar o mês olhando para tudo o que foi possível transformar, uma escolha de cada vez.


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